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Retrato das Empresas do Brasil 2026

Conclusões: o que o retrato mostra

Waxi · coordenação Daniel Silvestre

Versão dos dados 2026-09-1

Neste capítulo · 8 seçõesCapítulo 11 de 11
  1. O que o retrato mostra
  2. Muitas empresas, poucas em escala
  3. Um cadastro que se mexe mais do que parece
  4. A forma jurídica pesa mais que o setor, no modelo do estudo
  5. Benefícios concentrados e dívida em CNPJs fora da situação ativa
  6. O Simples entra em 2027 em mudança
  7. O que os dados públicos ainda não mostram
  8. O que acompanhar

O que o retrato mostra

O estudo começou separando três empresas que o cadastro mistura: a que existe, a que emprega e a que opera em escala. Juntando as fontes, cinco conclusões se sustentam nos dados. Elas valem com os limites descritos em cada capítulo e com as lacunas listadas no fim desta seção.

Muitas empresas, poucas em escala

São 25,6 milhões de empresas ativas, mais da metade MEI. No último recorte do IBGE, de 2022, 2,65 milhões de empresas tinham empregados assalariados. As médias ou grandes ficam entre 107 mil e 213 mil, conforme o critério Estimativa, e 2.448 têm ao menos mil trabalhadores registrados no PAT. O total do cadastro mede quem existe, não quem produz, emprega ou compra em volume, e por isso não serve sozinho como medida de atividade econômica.

Mais em: Porte Waxi: receita, emprego e escala comercial, Quantas empresas empregam, Setores: quem tem as empresas e quem gera o valor.

Um cadastro que se mexe mais do que parece

2025 teve o recorde de 5,02 milhões de aberturas, e, pela situação cadastral reconstruída, só metade das empresas chega ativa aos cinco anos. Desde 2023, quase 5 milhões de empresas distintas foram declaradas inaptas em três ondas; em setembro de 2026, cerca de duas em cada dez das empresas das ondas de 2023 e 2024 estavam ativas. O saldo de um mês pode refletir mais o calendário em que a Receita processa as inaptidões do que o movimento de quem abre ou fecha. O que informa é a série, não a foto.

Mais em: O cadastro em movimento, de 2023 a 2026, Sobrevivência.

A forma jurídica pesa mais que o setor, no modelo do estudo

No modelo de sobrevivência do estudo, a forma jurídica está mais associada a seguir ativa no cadastro do que o setor. Na amostra, a probabilidade estimada de seguir ativa é de 81% para uma Ltda de um sócio e de 42% para um MEI (associação estatística). Ao ajustar o perfil das empresas, a distância entre setores cai pela metade. O modelo usa características do cadastro de agosto de 2026, que podem ter mudado desde a abertura: ele descreve associações na amostra, não a chance de uma empresa nova sobreviver.

Mais em: O que explica a sobrevivência.

Benefícios concentrados e dívida em CNPJs fora da situação ativa

889 empresas, 1% das que declararam, respondem por 73% dos R$ 366 bilhões em benefícios fiscais federais declarados em 2025. Um terço do valor inscrito na Dívida Ativa da União em nome de empresas, R$ 1,05 trilhão, está em CNPJs fora da situação ativa. Isso não comprova, por si só, que todas essas empresas deixaram de operar nem informa quanto da dívida será recuperado.

Mais em: Quem recebe benefício, Dívida e regularidade com a União.

O Simples entra em 2027 em mudança

Quase 800 mil empresas têm saída do Simples ou do SIMEI marcada para 1º de janeiro de 2027. À parte, 840 mil empresas do Simples pediram, até 2 de outubro, para recolher IBS e CBS pelo regime regular; esse pedido não tira a empresa do Simples. As edições do cadastro do começo de 2027 vão mostrar quantas saídas se confirmaram.

Mais em: 800 mil empresas com saída do Simples marcada para 1º de janeiro, O que muda com a reforma.

O que os dados públicos ainda não mostram

  • Faturamento. Fora das companhias abertas, o estudo não encontrou faturamento por empresa num arquivo aberto e padronizado para todo o país. As S.A. fechadas publicam balanço em jornal ou em meio eletrônico, como a Central de Balanços do Sped, que o estudo ainda não cruzou. Em 93,5% das empresas com 500 ou mais trabalhadores no PAT, não identificamos demonstrações na CVM, nem próprias nem de um grupo ao qual conseguimos vinculá-las. O número mede o alcance desse cruzamento, não todo faturamento acessível ao público.
  • Emprego por empresa. Fora do PAT, que não cobre todas as empresas, não há contagem pública de empregados por CNPJ. Por isso o estudo trata as contagens do PAT como piso e usa o IBGE como referência.
  • Compras públicas. O PNCP já mostra quem vende para quem, mas os valores informados ainda têm erros grosseiros, e os municípios com até 20 mil habitantes têm até 2027 para cumprir as regras de divulgação.

Mais em: Quem mais fatura, e quem fica fora da CVM, Quantas empresas empregam, Quem vende para o governo.

O que acompanhar

  • O efeito da transição do Simples e da reforma tributária no cadastro, a partir das edições de 2027.
  • Novas ondas de inaptidão e quantas empresas voltam a ficar ativas depois delas.
  • O valor dos contratos públicos, quando houver uma regra de limpeza conferida com outra fonte.
  • Os balanços das companhias fechadas, para ampliar a parte do faturamento que o estudo consegue cruzar.