Retrato das Empresas do Brasil 2026
O porte das empresas brasileiras
Neste capítulo · 5 seções
Em números
- Médias ou grandes, conforme o critério
- 107 a 213 mil
- Estimativa
- Médias ou grandes com evidência direta em ao menos uma régua
- 47 mil
- Empresas com 50 ou mais empregados pelo Porte Waxi
- 80 mil
- Estimativa
- Médias ou grandes pela régua de receita do Porte Waxi
- 163 mil
- Estimativa
Porte Waxi: receita, emprego e escala comercial
Receita e número de empregados não são medidas intercambiáveis. Uma indústria, uma holding e uma empresa de software podem ter a mesma receita com quadros de pessoal muito diferentes. Por isso o Porte Waxi classifica cada empresa ativa em três réguas separadas, cada uma com seu nível de confiança, e deriva delas a escala comercial.
- Porte econômico, pela receita e por sinais financeiros. Faixas do BNDES e do Simples: micro até R$ 360 mil por ano, pequena até R$ 4,8 milhões, média até R$ 300 milhões e grande acima disso.
- Porte empregador, pelo pessoal ocupado: micro até 9 empregados, pequena de 10 a 49, média de 50 a 499 e grande com 500 ou mais.
- Porte operacional, pela capacidade registrada em órgãos reguladores: beneficiários de planos de saúde (ANS), leitos de hospital (CNES), matrículas em escolas privadas (Censo Escolar), acessos de banda larga (Anatel), potência de geração de energia (ANEEL) e rede de postos ou tancagem de combustíveis (ANP). Só existe para esses setores.
- Escala comercial, a maior das três. É a variável útil para prospecção: diz se a empresa é média ou grande em pelo menos uma régua.
| Escala | Porte econômico | Porte empregador | Escala comercial |
|---|---|---|---|
| Individual (MEI) | 13.654.984 | 13.654.984 | 13.654.984 |
| Micro | 8.605.450 | 94.932 | 8.595.955 |
| Pequena | 1.437.565 | 77.490 | 1.475.044 |
| Média | 153.769 | 74.578 | 200.644 |
| Grande | 9.202 | 5.277 | 12.720 |
| Indeterminada | 1.714.449 | 11.668.158 | 1.636.072 |
| Médias e grandes com evidência direta | 591 | 42.285 | 46.649 |
Fonte: Porte Waxi 2026 (Receita Federal, CVM, PAT, BNDES e reguladores), base de ago/2026; Estimativa.
O Porte Waxi classifica cerca de 213 mil empresas como médias ou grandes em pelo menos uma das réguas Estimativa. Em 47 mil delas há evidência direta de que são médias ou grandes em ao menos uma régua: receita no balanço da CVM, trabalhadores no PAT ou capacidade registrada num regulador. Na tabela, a coluna da escala comercial conta essas empresas mesmo quando a escala atribuída vem de outra régua (por exemplo, PAT indicando média e capital indicando grande). Outras 37 mil entram pelo número de endereços ativos ou pelo porte informado ao BNDES e cerca de 130 mil só pelo capital social declarado, a régua mais fraca: capital não é receita. Se o capital só contasse a partir de R$ 10 milhões, seriam 113 mil; sem as incorporadoras (CNAE 4110, muitas delas sociedades de um único empreendimento) nessa régua, 186 mil; com os dois cortes, 107 mil.
Entre 107 mil e 213 mil empresas são médias ou grandes, conforme o critério; 47 mil têm evidência direta
Empresas médias ou grandes em cada critério do Porte Waxi
| Categoria | Empresas médias ou grandes |
|---|---|
| Com evidência direta em ao menos uma régua (balanço, PAT ou regulador) | 46.649 |
| Estimativa restrita: os dois cortes na régua do capital | 106.514 |
| Régua do capital só a partir de R$ 10 milhões | 113.096 |
| Régua do capital sem incorporadoras (CNAE 4110) | 185.900 |
| Estimativa ampliada: qualquer régua do Porte Waxi | 213.364 |
Estimativa. A diferença vem sobretudo das 130 mil empresas que só entram pelo capital social declarado, a régua mais fraca: capital não é receita. Fonte: Porte Waxi 2026 (Receita Federal, CVM, PAT, BNDES e reguladores), base de 9/8/2026 · contém dados do BNDES e da ANEEL sob a licença ODbL.
Níveis de confiança.
- A: número oficial da própria empresa. Receita no balanço da CVM, trabalhadores no PAT ou o limite legal do MEI.
- B: teto legal do Simples ou porte informado ao BNDES desde 2022. Só existe no porte econômico.
- C: sinais indiretos. No porte econômico, porte declarado fora do Simples, capital e S/A; em holdings e empresas patrimoniais o capital não conta, porque reflete patrimônio. No porte empregador, número de unidades e de estados com endereço ativo, calibrado contra o PAT.
- D: sem sinal. O porte empregador fica indeterminado para 11,7 milhões de empresas porque não há contagem pública de empregados por CNPJ fora do PAT.
As duas réguas concordam pouco no topo. Entre as 69 mil empresas em que as duas réguas são conhecidas e pelo menos uma aponta média ou grande, só 44% são médias ou grandes nas duas.
| Médias ou grandes | Empresas |
|---|---|
| Nas duas réguas | 30.785 |
| Só pela receita, com emprego menor | 19.724 |
| Só pelo emprego, com receita menor | 18.879 |
| Só pela receita, sem dado de emprego | 112.462 |
| Só pelo emprego, sem dado de receita | 30.191 |
Fonte: Porte Waxi 2026, base de ago/2026; Estimativa.
- Concordância, não acerto. Onde há trabalhadores no PAT, a faixa de receita pelo teto do Simples ou pelo BNDES (confiança B) coincide com a faixa de emprego em 62% dos casos e fica a até uma faixa em 99%. Pelos sinais indiretos (C), são 46% e 89%. Isso mede o quanto as duas classificações concordam, não a precisão de uma delas.
- A régua de emprego fica na faixa do IBGE. O Porte Waxi conta cerca de 80 mil empresas com 50 ou mais empregados em 2026; o IBGE contava 78 mil empregadoras com 50 ou mais pessoas em 2022 e 85 mil empresas nessa faixa no cadastro de 2024 Estimativa.
- Na faixa “demais” da Receita há muita empresa com poucos empregados. Das 1,7 milhão de empresas sem nenhum sinal de receita, as que aparecem no PAT são 81% micro ou pequenas pelo número de empregados.
- Onde estão as médias e grandes pela escala comercial. 37% ficam em São Paulo. Por setor, lideram construção (48 mil), comércio (40 mil), indústria (24 mil) e agropecuária (23 mil).
- Dívida não entra no porte. Ter ou não dívida com a União é uma dimensão de regularidade e risco, tratada no capítulo final.
Porte operacional: o que o cadastro não vê
Nos setores regulados, a capacidade instalada é pública e mostra o tamanho sem depender de receita ou empregados. A capacidade é dado observado; traduzir capacidade em porte é uma regra da Waxi. Por essa regra, 5,6 mil empresas são médias ou grandes por capacidade registrada: operadoras de planos de saúde, hospitais, escolas privadas, provedores de internet, geradoras de energia e redes de combustíveis Estimativa.
- 1,3 mil delas eram invisíveis nas outras réguas Estimativa. Apareciam como micro, pequenas ou sem porte definido, e são médias ou grandes pela capacidade. A maioria está na saúde (486), nos provedores de internet (439) e na educação (243). Outras 268 sobem de média para grande.
- O que a base soma. A base soma 220 GW de potência em operação (sem a micro e minigeração distribuída), 523 mil leitos, 90 milhões de vínculos de beneficiários com operadoras (53 milhões em planos de assistência médica e 37 milhões em planos só odontológicos; a mesma pessoa pode ter os dois), 9,2 milhões de matrículas na educação básica privada e 56,8 milhões de acessos de banda larga fixa. São as somas das empresas com CNPJ nos arquivos de cada órgão, e batem com os totais que eles publicam. ANS e Anatel coincidem em julho de 2026 (a Anatel ainda pode revisar julho, porque parte dos provedores envia os dados com atraso). A diferença para a potência divulgada pela ANEEL em setembro é de 0,1%. O Censo Escolar 2025 fecha em 46,0 milhões de matrículas no país, o total divulgado pelo Inep. Os leitos são o total de agosto de 2026 do arquivo do Ministério da Saúde.
- Um país de provedores regionais. 9,8 mil empresas vendem banda larga fixa, e só 16 têm mais de 300 mil acessos. Por escolas, são 32 mil mantenedoras privadas, e 981 delas têm mais de mil alunos.
- As réguas usadas. Só a das operadoras segue uma classificação oficial (ANS: 20 mil e 100 mil beneficiários). As demais são cortes da Waxi: hospitais com 20 e 100 leitos, escolas com mil e 10 mil matrículas, provedores com 5 mil e 300 mil acessos, geradoras com 10 MW e 500 MW em operação (ponderados pela participação de cada sócia) e combustíveis com 5 e 50 postos ou 1 mil e 10 mil m³ de tancagem. Os cortes de escolas, provedores e geradoras foram escolhidos para corresponder à receita típica de média e de grande.
A próxima versão acrescenta o valor dos contratos públicos (PNCP) e balanços publicados de companhias fechadas.
Empresas com mais de mil e de 3 mil trabalhadores no PAT
O estudo identifica 2.448 empresas com ao menos mil trabalhadores atendidos pelo PAT, que empregam pelo menos 8,5 milhões de pessoas. Outras cerca de 900 são candidatas a mil ou mais trabalhadores, identificadas por receita acima de R$ 1 bilhão no balanço ou por 50 ou mais endereços ativos, ainda sem confirmação equivalente. Com ao menos 3 mil trabalhadores, são 676 empresas confirmadas, com 5,6 milhões de pessoas. É um piso: entre as companhias abertas que declaram à CVM 3 mil ou mais empregados, o PAT confirma 62%. Somando as que faltam, são cerca de 750, e pela distribuição do IBGE o total deve ficar perto de 900, entre 800 e 1,1 mil Estimativa. É o mercado de quem vende para grandes contas: um universo confirmado e outro para investigação.
| Faixa de trabalhadores (PAT) | Empresas e organizações | Trabalhadores |
|---|---|---|
| 100 a 249 | 12.920 | 2,0 milhões |
| 250 a 499 | 5.597 | 2,0 milhões |
| 500 a 999 | 2.894 | 2,0 milhões |
| 1.000 a 2.999 | 1.948 | 3,2 milhões |
| 3.000 a 4.999 | 372 | 1,4 milhão |
| 5.000 ou mais | 355 | 4,6 milhões |
Fonte: Ministério do Trabalho, PAT (cadastro de 31/03/2026); Receita Federal.
- Confirmadas: 2.448 empresas. São 2.384 privadas e 64 estatais com mais de mil trabalhadores no PAT. A tabela inclui ainda 127 entidades sem fins lucrativos (hospitais, universidades) e 100 órgãos públicos. Cada estabelecimento conta uma vez só, mesmo quando aparece repetido na base do programa.
- Onde estão. Indústria (680), serviços administrativos (463, que incluem terceirização de mão de obra), comércio (335), transporte (218), construção (198) e financeiro (106). São Paulo tem 960 delas (39%), seguido de Minas (235), Rio (202) e Paraná (156).
- Mais de 3 mil trabalhadores no PAT: 676 empresas. São 651 privadas e 25 estatais, com 5,6 milhões de trabalhadores no PAT, dois terços de todo o emprego das empresas com mais de mil. A tabela inclui ainda 29 entidades sem fins lucrativos e 22 órgãos públicos. Lideram indústria (189), serviços administrativos (138) e comércio (111). São Paulo tem 303 (45%), seguido de Minas (61), Rio (53) e Paraná (43). Como o PAT não cobre todas as grandes empregadoras, 676 é um piso. Das 190 companhias abertas que declaram à CVM 3 mil ou mais empregados no Brasil, 118 aparecem no PAT com 3 mil ou mais, pela própria empresa ou por uma controlada; quando aparecem, o PAT registra 93% do número declarado à CVM, na mediana. Entre as que faltam estão redes de saúde, varejo, educação e serviços terceirizados, que oferecem alimentação fora do programa.
- Candidatas fora do PAT: cerca de 900. O programa não cobre todas as grandes empregadoras. Fora dele, 189 companhias abertas faturam mais de R$ 1 bilhão, e 736 empresas têm 50 ou mais endereços ativos. As duas listas se sobrepõem, e parte delas é holding sem funcionários. São candidatas a investigar, não um limite de cima.
- O IBGE dá a referência. Em 2024 havia 12,1 mil empresas e organizações com 500 ou mais pessoas, incluindo prefeituras e outros órgãos públicos. No PAT, quase metade de quem tem mais de 500 tem mais de mil. Aplicada ao IBGE, essa proporção dá cerca de 5,8 mil organizações com mais de mil pessoas, contando o setor público. Só entre empresas, sem o setor público, a mesma conta dá entre 3,4 mil e 3,5 mil com mais de mil pessoas Estimativa.
- Cuidado com o número de pessoas. O PAT informa os trabalhadores atendidos pelo programa, que pode ser menos que o total de empregados. Por isso a contagem confirmada é um piso.
Quem mais fatura, e quem fica fora da CVM
No Brasil, o faturamento de cada empresa só está disponível como dado aberto e padronizado, num arquivo único para todo o país, no caso das companhias abertas, que entregam as demonstrações financeiras à CVM. São 668 com o exercício de 2025 entregue. Tirando bancos, seguradoras e securitizadoras, cuja receita não é venda de bens e serviços, e contando cada grupo uma vez, ficam 417 companhias. Juntas, declararam R$ 4,5 trilhões de receita líquida, e 257 passaram de R$ 1 bilhão.
| Posição | Companhia | Setor (CVM) | Sede | Receita líquida 2025 (R$ bilhões) |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Petrobras | Petróleo e Gás | RJ | 497,5 |
| 2 | JBS | Alimentos | SP | 480,6 |
| 3 | Raízen | Comércio | RJ | 255,3 |
| 4 | Vale | Extração Mineral | RJ | 213,6 |
| 5 | Vibra Energia | Comércio | RJ | 189,1 |
| 6 | Marfrig Global Foods | Alimentos | SP | 164,0 |
| 7 | Ultrapar | Petróleo e Gás | SP | 142,4 |
| 8 | Ambev | Bebidas e Fumo | SP | 88,2 |
| 9 | Sendas Distribuidora (Assaí) | Comércio | SP | 77,3 |
| 10 | Gerdau | Metalurgia e Siderurgia | SP | 69,9 |
| 11 | Telefônica Brasil (Vivo) | Telecomunicações | SP | 59,6 |
| 12 | Rede D'Or São Luiz | Serviços Médicos | SP | 55,7 |
| 13 | Minerva | Alimentos | SP | 54,8 |
| 14 | Neoenergia | Energia Elétrica | RJ | 52,6 |
| 15 | Equatorial | Energia Elétrica | MA | 52,1 |
| 16 | Claro Telecom Participações | Telecomunicações | SP | 51,8 |
| 17 | Suzano | Papel e Celulose | BA | 50,1 |
| 18 | Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) | Metalurgia e Siderurgia | SP | 44,8 |
| 19 | CPFL Energia | Energia Elétrica | SP | 44,4 |
| 20 | Raia Drogasil | Comércio | SP | 44,3 |
Fonte: CVM, DFP 2025 e Formulário de Referência (coletas de 28/9 e 6/10/2026); Receita Federal, dados abertos CNPJ.
- Petrobras e JBS na frente. A Petrobras declarou R$ 497,5 bilhões e a JBS, R$ 480,6 bilhões, quase o dobro da terceira colocada. As 10 maiores somam 47,9% da receita das 417 companhias.
- Não é a lista das maiores empresas do Brasil. Subsidiárias de multinacionais e grupos de capital fechado não entregam balanço à CVM e ficam de fora, por maiores que sejam. Os exercícios também não coincidem todos: o da Raízen termina em março, e o número é o do exercício encerrado em março de 2025.
- Como a lista foi feita. Receita líquida da demonstração de resultado do exercício de 2025, consolidada quando existe. Quem controla quem vem do Formulário de Referência de cada companhia: a controlada cuja receita já está no consolidado da controladora sai da lista, e a holding que só repete a receita da operacional também sai. Quando a controladora fatura menos que a controlada, como Cosan e Raízen, as duas ficam, porque a receita não é consolidada. A sede é a UF do CNPJ da companhia. A lista das 50 maiores está nos dados abertos do estudo.
- Por que não pelo capital social. Listas de “maiores empresas” montadas com o cadastro costumam ordenar pelo capital social, que é o valor que os sócios declaram no registro, não o que a empresa vende. Entre as mil empresas ativas com maior capital, 298 são holdings (sociedades de participação), que em geral não vendem bens nem serviços. A JBS, segunda maior receita da lista, é a 78ª por capital; a Raízen, terceira, é a 337ª.
A maior parte das grandes empregadoras fica fora da CVM. Das 5.097 empresas com 500 ou mais trabalhadores no PAT, 272 entregam demonstrações à CVM. Somando as que pertencem a um grupo com companhia aberta, são 329. Nas outras, 93,5% do total, com 8,6 milhões de trabalhadores registrados no PAT, não identificamos demonstrações na CVM, nem próprias nem de um grupo ao qual conseguimos vinculá-las. O número mede o alcance desse cruzamento, não todo faturamento acessível ao público. Entre as 331 com 5 mil ou mais trabalhadores, só 67 têm demonstrações na CVM, próprias ou do grupo.
- Limitadas não precisam publicar. 3.169 das 5.097 são limitadas, e só 57 delas pertencem a um grupo com companhia aberta. Limitadas, mesmo as de grande porte, não são obrigadas a publicar balanço: em 2023 o STJ decidiu que a Lei 11.638/2007 não traz essa exigência (Informativo 769).
- S.A. fechadas publicam, mas fora da CVM. São 1.342 entre as 5.097. A lei manda publicar o balanço em jornal; as que faturam até R$ 78 milhões por ano podem publicar só em meio eletrônico, como a Central de Balanços do Sped. O estudo ainda não cruzou essas publicações. Estatais e cooperativas completam a conta.
- Um limite de baixo para quem publica. Uma S.A. fechada controlada por companhia aberta entra no balanço consolidado da controladora, mas o cadastro da Receita não mostra esse controle: o quadro de sócios das S.A. lista administradores, não acionistas. Por isso parte das S.A. fechadas aparece aqui sem demonstrações, embora a receita delas esteja no balanço do grupo.
Quem vende para o governo
Em 2025, 11,8 mil órgãos públicos publicaram 2,0 milhões de contratos no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), o registro criado pela Lei 14.133/2021. A conta usa a data de publicação no portal, que pode ser diferente da data de assinatura. Do lado de quem vende, eram 232,5 mil empresas, menos de 1% das empresas ativas. A tabela conta os 1,9 milhão de contratos dessas empresas: ficam fora 74 mil contratos com pessoas físicas, 7 mil com fornecedores estrangeiros e 41 mil com órgãos públicos, entidades sem fins lucrativos e outros CNPJs fora do universo de empresas.
| Porte (Receita) | Empresas fornecedoras | Contratos |
|---|---|---|
| MEI | 31.530 | 60.249 |
| Microempresa | 124.225 | 686.765 |
| Pequeno porte | 46.324 | 530.666 |
| Demais | 30.459 | 622.669 |
| Total | 232.538 | 1.900.349 |
Fonte: Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), contratos publicados em 2025 (coleta de 07/10/2026); Receita Federal, dados abertos CNPJ (porte de ago/2026).
- Quase nove em cada dez fornecedoras são MEI, micro ou pequenas. Elas assinaram 67% dos contratos. A lei reserva às micro e pequenas as compras de até R$ 80 mil (Lei Complementar 123/2006, art. 48), o que ajuda a explicar a presença delas. O porte é o do cadastro de agosto de 2026.
- Poucas vendem para muitos. 514 empresas venderam para 100 órgãos ou mais e assinaram 28% dos contratos. Na outra ponta, 162 mil, sete em cada dez, venderam para um único órgão.
- O comprador mais frequente é a prefeitura. Órgãos municipais publicaram 70% dos contratos.
- Só contagens, por enquanto. Os valores informados ao PNCP têm erros grandes: somados, os contratos de 2025 passam de R$ 18 trilhões, mais que o PIB, por causa de poucas centenas de registros com valores impossíveis. O estudo não usa os valores até ter uma regra de limpeza conferida com outra fonte. A cobertura também é incompleta: municípios com até 20 mil habitantes têm até 2027 para cumprir as regras de divulgação da nova lei (art. 176). Contratos com pessoas físicas como fornecedoras ficam fora da contagem de empresas.