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Retrato das Empresas do Brasil 2026

Sobrevivência das empresas

Waxi · coordenação Daniel Silvestre

Versão dos dados 2026-09-1

Neste capítulo · 2 seçõesCapítulo 05 de 11
  1. Sobrevivência
  2. O que explica a sobrevivência

Em números

Abertas de ago/2018 a ago/2021 que continuam ativas 5 anos depois
49%
Abertas de ago/2018 a ago/2021 que não foram baixadas em 5 anos
65%
MEIs abertos de janeiro a agosto de 2021 que seguem ativos 5 anos depois
38%
Demais empresas abertas de janeiro a agosto de 2021 que seguem ativas 5 anos depois
70%

Sobrevivência

Das empresas abertas de 10 de agosto de 2018 a 9 de agosto de 2021, 65% não foram fechadas formalmente em 5 anos, mas só 49% continuam ativas. A diferença são empresas que a Receita declarou inaptas. O tipo de empresa pesa mais que o setor: onde quase todo mundo é MEI, a sobrevivência é menor.

Sobreviver no cadastro não é o mesmo que continuar ativa

Situação cinco anos após a abertura, por setor

  • Sem baixa formal
  • Continua ativa
0%25%50%75%100%I Alojamento e alimentação60,6%38,2%H Transporte62,9%44,7%T Domésticos64,7%45,8%E Água e resíduos66,5%46,2%P Educação55,6%47,6%G Comércio63,9%48,1%C Indústria65,7%50,0%M Profissionais e técnicas62,0%50,5%S Outros serviços68,5%51,1%N Administrativas62,1%52,0%F Construção71,9%52,2%J Informação e comunicação61,0%54,8%Q Saúde71,6%61,9%R Artes e esporte72,5%62,0%A Agropecuária75,4%67,9%B Extrativa82,9%74,3%K Financeiro80,1%76,2%D Energia81,8%79,4%L Imobiliário86,0%82,3%
Sobreviver no cadastro não é o mesmo que continuar ativa
CategoriaSem baixa formalContinua ativa
I Alojamento e alimentação60,6%38,2%
H Transporte62,9%44,7%
T Domésticos64,7%45,8%
E Água e resíduos66,5%46,2%
P Educação55,6%47,6%
G Comércio63,9%48,1%
C Indústria65,7%50,0%
M Profissionais e técnicas62,0%50,5%
S Outros serviços68,5%51,1%
N Administrativas62,1%52,0%
F Construção71,9%52,2%
J Informação e comunicação61,0%54,8%
Q Saúde71,6%61,9%
R Artes e esporte72,5%62,0%
A Agropecuária75,4%67,9%
B Extrativa82,9%74,3%
K Financeiro80,1%76,2%
D Energia81,8%79,4%
L Imobiliário86,0%82,3%

Proporções dentro de cada setor. Continuar ativa é um subconjunto de não ter baixa formal; inaptidão não comprova encerramento da operação. A situação aos cinco anos é reconstruída pela data da situação atual no cadastro. Fonte: Receita Federal, dados abertos CNPJ, base de 9/8/2026 · universo empresas, CNPJ matriz · empresas abertas entre ago/2018 e ago/2021.

  • MEI. Dos MEIs abertos de janeiro a 9 de agosto de 2021, 56% não foram baixados em 5 anos, mas só 38% continuam ativos. Nas coortes de 2016 a 2020, a faixa vai de 41% a 65%. O Sebrae, com outra metodologia e dado de 2020, estima 71%, acima do limite de cima desta conta.
  • Demais empresas. Das abertas de janeiro a 9 de agosto de 2021, 77% não foram baixadas e 70% continuam ativas. Nas coortes de 2015 a 2020, as ativas ficam entre 73% e 76%.
  • Primeiro ano. 91% das empresas não MEI abertas de janeiro a 9 de agosto de 2025 continuam ativas um ano depois, contra 76% dos MEIs.
  • Menor sobrevivência (atividades com mais de 15 mil aberturas): entregas rápidas, marmitas e comida para casa, promoção de vendas e ambulantes de alimentação, todas com menos de 4 em cada 10 ainda ativas.
  • Maior sobrevivência: holdings, advocacia, contabilidade e consultórios médicos, com cerca de 8 em cada 10 ou mais.
  • Por que o limite de baixo importa. Inaptidão não prova que a empresa parou. Mas quem fica anos sem entregar declarações raramente está operando. Hipótese: o número real fica mais perto do limite de baixo.

Três réguas, três populações. A sobrevivência muda conforme a régua e conforme quem é contado: a Receita conta CNPJs não MEI abertos em 2017; o IBGE conta empresas que nasceram com empregados.

Três réguas de sobrevivência em 5 anos
O que conta como sobreviver 5 anosEmpresas abertas em 2017Fonte
Não foi baixada (empresas não MEI)80%Receita
Continua ativa, sem inaptidão (empresas não MEI)73%Receita
Continua empregando (empresas que nasceram com empregados)37%IBGE

Fonte: Receita Federal, dados abertos CNPJ (ago/2026); IBGE, Demografia das Empresas.

Pelo IBGE, entre as empresas que nasceram empregando, só 37% ainda empregam cinco anos depois. Entre as que nasceram com 10 a 49 pessoas, são 55%, e com 50 ou mais, 61%. Hipótese: parte da diferença para os números da Receita vem de empresas que seguem abertas no cadastro depois de deixar de contratar. Isso vale para qualquer análise feita só com CNPJ, inclusive a de prospecção comercial.

O que explica a sobrevivência

O que mais separa quem sobrevive de quem fecha é o tipo de empresa, não o setor. Para chegar a isso, um modelo estatístico comparou 500 mil empresas abertas de 10 de agosto de 2018 a 9 de agosto de 2021. Ele usa as características cadastrais disponíveis na edição de agosto de 2026: setor, região, forma jurídica, MEI, capital, sócios e densidade da cidade. Forma, capital e sócios podem ter mudado desde a abertura. Os resultados abaixo são associação estatística, não prova de causa.

A diferença entre setores diminui quando se ajusta o perfil das empresas

Probabilidade de continuar ativa em cinco anos: observada e padronizada pelo modelo

  • Observado
  • Padronizado pelo modelo
0%25%50%75%100%I Alojamento e alimentação38,2% · 42,1%H Transporte44,5% · 48,7%T Domésticos45,2% · 53,5%P Educação47,3% · 50,1%G Comércio48,1% · 47,1%C Indústria50,0% · 52,8%S Outros serviços50,7% · 56,1%M Profissionais e técnicas50,9% · 48,1%N Administrativas52,1% · 50,0%F Construção52,3% · 53,6%J Informação e comunicação54,3% · 49,3%R Artes e esporte61,1% · 56,1%Q Saúde61,4% · 49,7%A Agropecuária68,7% · 49,9%K Financeiro76,5% · 47,0%L Imobiliário83,6% · 64,2%
A diferença entre setores diminui quando se ajusta o perfil das empresas
CategoriaObservadoPadronizado pelo modelo
I Alojamento e alimentação38,2%42,1%
H Transporte44,5%48,7%
T Domésticos45,2%53,5%
P Educação47,3%50,1%
G Comércio48,1%47,1%
C Indústria50,0%52,8%
S Outros serviços50,7%56,1%
M Profissionais e técnicas50,9%48,1%
N Administrativas52,1%50,0%
F Construção52,3%53,6%
J Informação e comunicação54,3%49,3%
R Artes e esporte61,1%56,1%
Q Saúde61,4%49,7%
A Agropecuária68,7%49,9%
K Financeiro76,5%47,0%
L Imobiliário83,6%64,2%

Associação estatística, não causalidade. Apenas setores com pelo menos 3 mil empresas na amostra. Os pontos não representam intervalos de confiança, que não estão disponíveis no agregado. Fonte: Receita Federal, dados abertos CNPJ, base de 9/8/2026 · universo empresas, CNPJ matriz · modelo logístico, amostra de 500 mil empresas, abertas entre ago/2018 e ago/2021.

Quando todos os setores têm a mesma mistura de MEIs, Ltdas e capital, a distância entre o pior e o melhor cai de 45 para 22 pontos. Parte da fama de “setor difícil” é, na verdade, a quantidade de MEIs que ele atrai. Alimentação continua na lanterna mesmo no ajuste.

Sobrevivência em 5 anos por forma jurídica
Forma jurídicaContinuam ativas (observado)Previsto pelo modelo
MEI41%42%
Empresário individual sem MEI68%66%
Ltda com um sócio79%81%
Ltda com dois ou mais sócios71%71%
Sociedade simples83%84%

Fonte: Receita Federal, dados abertos CNPJ (ago/2026), empresas abertas de ago/2018 a ago/2021; modelo logístico (associação estatística).

  • Como ler o “previsto”. Para cada forma, o modelo calcula a chance de todas as 500 mil empresas se elas tivessem aquela forma, mantendo setor, região, capital e sócios como estão, e tira a média. Assim a comparação não depende da mistura de cada grupo.
  • A forma jurídica é o fator mais forte. Na probabilidade prevista pelo modelo, uma Ltda de um sócio tem quase o dobro da chance de continuar ativa que um MEI (81% contra 42%).
  • Ter outra empresa como sócia está associado a mais sobrevivência. Empresas com sócio pessoa jurídica ficam em 64% na probabilidade prevista, contra 49% da média.
  • Região e densidade da cidade pesam pouco. Na probabilidade prevista, as regiões ficam entre 46% e 50%.
  • A comparação entre anos de abertura depende das ondas. A coorte de 2018 ficou em 53% e a de 2020, em 46%, mas a de 2020 passou por mais ondas de inaptidão na sua janela de cinco anos. A diferença não mede só a sobrevivência.
  • O cadastro explica só parte da história. O modelo foi ajustado em 80% da amostra e testado nos outros 20%. Nesse teste, ele acerta a ordem de quem sobrevive em 66% dos pares comparados (AUC de 0,66, métrica em que 0,5 é sorte e 1 é acerto total). O resto depende do que a Receita não registra, como gestão, mercado e acesso a crédito.